Desmonta, mas não desmancha

2.6.17




Os últimos meses foram conturbados, em todos os campos. Quando penso que posso subir porque cheguei ao fundo do poço, descubro que é possível afundar mais. Levantar da cama é a primeira vitória do dia e deitar nela sabendo que fiz tudo o que podia devia é uma das poucas coisas que me trazem calma. Los hermanos me ensinou que a solidão deixa o coração nesse leva e traz, mas eu já não sei mais o que quero trazer. Os últimos sentimentos que abriguei me feriram, amizades frágeis, desamores, vazios e a sensação de não ser boa o suficiente. A pressão de final de curso me impede de agir como no ano passado, nada sóbria, o maior tempo possível. Mas a vontade de fugir é grande, até porque qualquer caminho é certo quando você não sabe para onde ir. Nunca fui positiva, ou a garota mais bonita, boletim azul não faz fama, o remédio me faz sorrir mas não serve de nada quando meu olhar não acompanha. Sem sonhos, sem perspectivas, pareço amarga demais pra quem tem uma vida inteira pela frente, mas já não vejo onde me encaixo nela, sou uma peça errada num quebra-cabeça cheio de peças certas. Só sigo sabendo que amanhã tenho que arcar com novas obrigações, manter a postura certa, chorar sem me borrar, menina para de reclamar! Desmontar, mas nunca desmanchar. Não tenho tempo pra isso, imagina só se perco o metrô das 17, o próximo estará lotado e eu não entro. 



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