"Antiprincesas" - A coleção infantil sobre mulheres inspiradoras


Quando eu era pequena tinha um grande livro de histórias, a minha preferida era a do Ali babá e os 40 ladrões, mas adorava também a do rei pelado (A roupa nova do imperador) e a da menina dos palitos de fósforo. Talvez eu não saiba te contar essas histórias tão bem quanto as das princesas da Disney, isso porque a indústria nos compra desde pequenas. Meninas são ensinada a se vestirem de tal maneira, usar maquiagem, serem educadas e esperarem pelo seu príncipe encantado. Então crescemos com expectativas impossíveis de serem alcançadas, ouvindo as pessoas nos chamando de princesas e tudo isso parece lindo, mas a vida não é um conto de fadas. 


Nunca me senti parte de um conto de fadas, mas como todas as minhas amiguinhas fizeram festas de princesas o meu aniversário de 9 anos foi da Bela (de Bela e a Fera). Eu queria festa do Batman, mas sabia que não podia porque "era coisa de menino". Então escolhi a Bela, porque a achava bonita e inteligente, diferente das outras que sempre me pareceram um pouco bobinhas. Assim como a minha mãe fez comigo eu quero ler de tudo para os meus filhos e se você desanima quando entra em uma loja e só vê livrinhos rosa, vai adorar a coleção "Antiprincesas" da editora de livros Chimbote. Conta a história de mulheres de verdade, latino-americanas, fortes e guerreiras, como Frida Kahlo e Juana Azurduy. É lógico que os livros são recheados de ilustrações e linguagem acessível, a intenção é orientar, educar e ao mesmo tempo despertar o interesse dessas crianças. 

"Por um lado, o modelo de Princesas da Disney, reforçado a cada nova produção cinematográfica e, por outro lado, a chegada de um modelo que eleva e ressalta as figuras de mulheres combatentes, comprometidas com se entorno."

Nadia Fink - Autora do livro

Antes que você fique com raiva, queria deixar claro que eu não sou contra a Disney e suas princesas, até porque elas também estão mudando, adoro a Merida de Valente e algumas princesas antigas como Mulan e Jasmine. Amo filmes de desenho e valorizo a inocência das crianças, porque a minha infância foi maravilhosa. E é exatamente por isso que é importante educarmos essa nova geração mostrando a força que elas têm e não impondo comportamentos ou separando o que é brinquedo de menina e menino. Está permitido se vestir de princesa, de super herói, do que quiser, mas é importante empoderar essas meninas para que elas sejam grandes mulheres e saibam disso! Essa coleção é perfeita pra isso, uma pena que por enquanto os livros só estejam disponíveis na Argentina. Eu não sou mãe, mas se um dia eu for a minha filha não será princesa, será o que ela quiser, linda, forte, inteligente, MULHER! 

Tudo bem em se sentir linda



Antes de fazer terapia pela terceira vez eu achava que problemas de autoestima estavam relacionados somente à imagem da pessoa. Eu me odiava aos 13 anos, mas depois da fase "patinho feio" ganhei corpo e comecei a gostar de mim. Investi em cremes que nunca usei, roupas que doei ainda novas, esmaltes que endureceram e revistas que nunca me representaram. O que eu não sabia é que a minha autoestima não dependia só do que eu vestia, ou quanto eu pesava, mas sim o que se passava pela minha cabeça e é ai que mora o perigo. Apesar de chamar AUTOestima ela geralmente vem atrelada aos padrões que a sociedade impõe e isso não é nada bom, na verdade isso é péssimo. 

É bonito ver que as pessoas ao meu redor têm procurado se aceitar, por mais que ainda exista gente que insiste em se preocupar excessivamente com a vida dos outros. Se você é aquela pessoa que já foi gorda, começou a malhar e perdeu 30 quilos em 1 mês, agora você se sente linda, parabéns! Eu fico feliz por você se sentir assim. Mas não ache que porque o final foi feliz pra você será também na história de vida de outras pessoas. Esse papo de “você deve emagrecer, obesidade é uma doença, estou preocupada com a sua saúde” É UM SACO! Existem pessoas obesas com problemas de saúde? Sim, mas também existem obesos com exames melhores que o meu, uma pessoa dentro do peso considerado ideal (Cuidado com os índices do IMC, são surreais). Então quando você fala isso não está preocupado com a saúde e sim com o que os outros pensam dessa pessoa, afinal ela não está seguindo as regras que você seguiu. Apenas pare, deixe as pessoas serem felizes como elas acham que deve ser.

          "Não há problema em ser magra e não há problema em ser gorda, se isso é o que você quer ser. O que você quiser, não tem problema."

Tudo bem em se sentir linda por que foi bem em uma prova, por que comprou uma roupa nova, fez um piercing no septo, acordou de bom humor, aprendeu a dar estrelinha. Tudo bem em perceber que seus cílios ficam lindos quando você chora, reparar que tá com uma bundinha legal, começar uma aula de dança, fazer uma tattoo na perna, assumir o cachos e se achar maravilhosa. TUDO BEM em não ser como as suas amigas, ou como a capa da revista, colocar uma cropped e mostrar a barriga, é sério, TÁ TUDO BEM!


O negócio é se aceitar, independente do motivo que te deixe pra baixo. E eu não disse que é fácil, mas é recompensador. É como acordar e não ter que passar maquiagem para ir à padaria. Parece um exemplo idiota, mas se você parar pra pensar pelo menos um corretivo a gente passa com medo de encontrar alguém que repare nos nossos olhos de ressaca. Estamos presas a pequenas coisas que nos são impostas e se tornam "normais", mas depois que você percebe que para ser linda não precisa de nada (só de mudar a sua cabeça) é libertador, é gostoso se sentir gostosa e sabe de uma coisa? Tudo bem em se sentir linda.




OBS: A imagem do início do post é de uma campanha maravilhosa chamada #EmpowerALLBodies, as demais do filme pequena miss sunshine que é só amor  <3

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